sábado, 26 de novembro de 2011
TOCA-ME
Imagem:Pablo Picasso "Blue Nude" período azul
Um pássaro canta sobre as dunas.
Calou-se o mar nos teus cabelos. Eu perdi-te?
Uma chuva de palavras festeja as minhas mãos.
Nenhuma faz sentido. Não há rosas
que me possam pagar esta tristeza.
Apenas isto: dizer que tens um nome
que a tua própria boca desconhece.
E amar-te. Assim. Como se a morte
fosse em nós a última carícia.
Na tua boca a minha boca canta.
E os potros da alegria vão seguindo
os dedos que os teus seios enlouquecem.
Conheço-te. Estás nua no meu leito.
É em ti que a madrugada principia.
Mas quem?, quem virá dizer que a noite
tem o teu rosto e olhos clandestinos?
Toca-me. Não fales. Eu invento
as palavras que os deuses não merecem.
Joaquim Pessoa
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