domingo, 27 de novembro de 2011

ÉS O POEMA



és o poema e a aurora
que esboça no corpo um discurso húmido de cânticos nocturnos

és o poema e a fissura dos meus olhos
donde derramo a tinta com que escrevo teu nome

és o poema que perdura cardíaco
entre labaredas e jardins proibidos das geografias internas

és o poema e o consolo duma boca
que beija no ventre uma borboleta em chamas

és o poema e a navegadora sem tempo
no meu peito de pétalas secretas

és o poema e a intimidade de uma lágrima
onde sal nocturno segrega a espuma do sonho

és o poema de todos os poemas até à bruma no horizonte

MIGUEL DE CARVALHO

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