Tremem-me os lábios, adejam
velas assopradas por teu fogo.
Em labaredas minhas naus navegam
tua língua, onde a minha vogo!
Náufragas caravelas, tombam
meus braços… No teu ventre afogo!
Baia de águas que mareiam,
tempestuoso o mar que arrogo!
E na tua calma me alimento,
meu dorso velejo no teu curso
para alcançar praia… Tu, nem tentas!
Em ti embalo o meu tormento,
invento o verso mais extenso.
Do nada… tudo me prometas!
LUÍSA AZEVEDO
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