sábado, 26 de novembro de 2011

DEMASIADO, FRÁGIL

Procuro um sossego por entre os passos instáveis que me conduzem. Procuro um espelho e o reflexo da imagem em que me constroem. Receio. Parece-me que a vida é uma representação para a qual não ensaiei. Olho-me. Tento perceber onde ficam as margens da máscara que me engana, ou com que engano. Involuntariamente. Não. Eu não sou assim. Será tão difícil perceber a minha fragilidade? Inquieta-me este sentir ser fraude, sem que o pretenda ser. Olho-me e não me reconheço no que os outros me vêem. Introspecção: serei tão diferente do que penso ser? Dispo-me. Mas a nudez apenas me mostra a fragilidade com que fui ser. Não me matem vivo, pois sou excessivamente ténue para resistir a qualquer tentativa de derrube. Quero ficar de pé para ter a certeza que sou, aquilo que sei ser: frágil,
demasiado, para duvidar dos passos em que caminho.

JOÃO COSTA

Publicada por Maria Antónia em Sábado, Novembro 26, 2011 0 comentários Etiquetas: DEMASIADO, FRÁGIL

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