domingo, 27 de maio de 2012

Partiste...

De ti
ficou a beleza do silêncio
a ternura das saudades
levaste sonhos distantes
palavras que não disseste
e que nunca me dirás.
Evito pensar
no que se afogou em memória
e que estremece sensações
por teres um coração solto
um olhar sedutor
uma nobre figura
capaz de um grande amor
quando encotrar quem
te souber despertar...

Margarida Cândida Jorge

quarta-feira, 16 de maio de 2012

E novamente

E novamente
um excepcional vento quente voltou.
Sussurrou-me segredos de saudade
afogou-me em ternuras
em aromas de amor
em sonhos do tamanho de um oceano
onde os céus, as estrelas e Sol não bastam
para serem par.
E eu que pensava que era eu, já não era
e também não sei quem sou...
Fiquei à deriva suspensa
não sei onde nem porquê
ou sei, mas impedida de gritar
e fugir procurando o que já tinha encontrado.
A certeza de que perdi minha bússola
a minha força
mas não o meu destino.
Porque um anjo amado e secreto
me abraçou ternamente e eternamente.
Partiu porque ama a vida e o Sol
que é tão belo quando nasce e mergulha no mar...

Margarida Cândida Jorge

sábado, 21 de abril de 2012

POEMA ACABADO

Foto de António Carlos Santos

Agora choro baixinho
os ecos da saudade,
o prelúdio dos sonhos
e o verso dos jardins floridos.
É como uma espada na estação das flores,
em sussurrantes devaneios
num instante feliz de mim.
Este suave infinito em azul
é uma asa cortada em cinzas uma fuga mística,
um suspiro um pedido de abrigo!
Dancei na tua meiguice,
e aí vivi no cume da vida com novas ilusões
o fogo do Amor em bulícios desvairados...
Dentro desta melancólica
saudade que irrompe o silêncio
há um despertar rutilante em uníssono de Amor e Vida.
Sonho a minha alma e liberto os meus véus
neste vasio obscuro de mim,
com palavras frágeis e efémeras mas com a tua música no coração!
Neste cruciante silêncio da alma fui em busca de inspiração,
em cada palavra transpirada, neste vestíbulo de Amor e Paixão.
E hoje o vento que aqui passou trouxe-me saudades Tuas...
dos nossos aturdentes sonhos e fantasias e das nuvens coloridas...
Como as ondas do mar, carinho,
deixaste-me um travo de água salgada
neste meu peito em vai e vem de dor tornando a minha vida uma madrugada.
Hoje vago entre a bonança, em busca das estrelas,
numa completa cessação de ventos
como sol e lua na busca de sonhos teus.
Este é um poema acabado
que me faz beijar a tua boca
e percorrer linhas de um céu
Teu assim como que um perpétuo beijar de poesia!

António Carlos Santos

sexta-feira, 6 de abril de 2012

VOLTEIO

Não sei porque ando por aqui
Menos sei o que aqui faço
Ando às voltas à procura
De uma razão

Não sei o que não faço aqui
Menos sei porque não o faço

Não sei o que faço ou não faço aqui
Mas sei que quando o faço me enriqueço
Quando nada faço me empobreço

Não sei porque ando aqui
Mas sei que aqui estou
Fazendo ou não fazendo

O resto, não me incomoda
Porque certamente já morri!


Delfim Peixoto

DESENCONTRO

Perdi-me perdendo-te de mim
Como brisa que toquei e não segurei
Como areia que toquei e ao mar deitei
Em ondas perdidas nas correntes fugazes

Sou o vazio, agora que o sol se põe,
Como noite sem lua ou estrelas
Ou como teclas silenciosas
Da melodia que cantei

Perdi-te, perdendo-me de ti
Como vento soprando forte
Na luz do farol dessa foz

Sou o que já nada sente
Senão o teu abraço de maresia
Que sinto sem os teus braços

Mas o mar trás memórias vivas
Nas ondas que entoam como a tua voz
E assim me encontro, encontrando-te onde me perdi.

Delfim Peixoto

Renova-te

Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo."

Cecília Meireles

domingo, 25 de março de 2012

FOLHA AO VENTO




Sou folha varrida pelo vento
seca
desmembrada
de minha mãe arrancada
do seio que me acolheu

Sou folha varrida pelo vento
que apesar de tudo viveu

Sou folha feita sentimento
andando ao sabor do vento
sou levada pelos ares
sem rumo nem destino

Talvez venha a bater à tua porta
ficar num canto da tua janela
talvez nem dês por mim
mas eu vou ficar
até o vento de novo me levar

Mas se por acaso de mim te aperceberes
não me varras para longe
deixa-me apenas ficar
na janela dos teus quereres
pertinho do teu olhar...

Talvez se me acolheres
o vento não me queira mais levar...

São Reis