sexta-feira, 6 de abril de 2012

DESENCONTRO

Perdi-me perdendo-te de mim
Como brisa que toquei e não segurei
Como areia que toquei e ao mar deitei
Em ondas perdidas nas correntes fugazes

Sou o vazio, agora que o sol se põe,
Como noite sem lua ou estrelas
Ou como teclas silenciosas
Da melodia que cantei

Perdi-te, perdendo-me de ti
Como vento soprando forte
Na luz do farol dessa foz

Sou o que já nada sente
Senão o teu abraço de maresia
Que sinto sem os teus braços

Mas o mar trás memórias vivas
Nas ondas que entoam como a tua voz
E assim me encontro, encontrando-te onde me perdi.

Delfim Peixoto

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