Às vezes nem sei porque escrevo
Se as palavras caem no silêncio do papel
imberbes e caladas como sempre o foram
O silêncio.... nem esse me responde...
é como se as palavras caíssem mudas
e mais mudas ainda ficassem só porque nele cairam
Não sei porque ainda me dou ao trabalho de escrever
se nada muda, se tudo fica como está
Se não chego aonde quero
e continuo sem perceber o que antes já não entendia
Mas algo me empurra e eu continuo a escrever
apesar de saber que ninguém me ouve
me entende
ou faz sequer um esforço para entender
Por isso continuo a escrever-me
a escrever-te
a reescrever-me-te
e a repetir vezes sem conta
a mesma coisa até à exaustão
Escrever é assim para mim
como uma catarse obrigatória
uma necessidade de estar comigo
tal como às vezes preciso de estar com Deus
apesar de saber que Ele também não me ouve
No fundo a gente escreve e reza
esperando que o silêncio se pronuncie
que fale connosco
se manifeste
nos responda...
Nem que seja para que no fundo
a gente sinira que alguém nos ouviu...
....ainda que esse alguém seja tão-só
um silêncio ensurdecedor...
São Reis
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