quinta-feira, 30 de junho de 2011

Noite de S. João...

Glamourosas
Atrevidas
perfumadas de alegria
Ouvia-se um som de guitarra
o cantar repetitivo onde
músicas de romaria entoavam
Festa entrou em casa
a vontade de dançar e cantar
Saudades e doces memórias
vinham de longe
momentos de ternura desciam
imagens doces ficaram
Paz e saudade senti
a certeza de um amor
A felicidade de o ter encontrado..

Margarida Cândida jorge (23/6/2011)

Improviso em forma de súplica...

Quando eu morrer
não digas por favor a ninguém
ninguém precisará de saber
que falhei
que errei as palavras
que errei os olhos
que errei as mãos e os pés
que errei o corpo
quando esperavas talvez outro
não digas a ninguém
que fiquei à porta
ou que me bateste com ela
diz apenas que tropecei em mim
e não tiveste força para me levantares.

Ademar

Improviso sobre uma confissão...

Sim a felicidade
pode caber inteira na tua boca
nem palavras a mais
nem palavras a menos
uma felicidade sucinta
mas compulsiva
e saber-te lá
nesse exacto lugar onde me esperas
baloiço em forma de berço
concha de lábios
e um verbo conjugado na vertigem
da primeira pessoa do singular
o teu modo imperativo.

Ademar
Dir-te-ei todos os dias que me fazes falta
mas conseguirei algum dia significar-te
a falta que me fazes?

Ademar Santos

publicado em "Descansando do Futuro (Reserva de Intimidade)", Asa, 2003

Perder para dar valor...



(Pedro 28/6/2011)
"Se tivesse que escrever um livro de moral, as primeiras 99 páginas ficariam em branco e na centésima página escreveria uma só frase: Existe um único dever, o dever de amar".

Albert Camus
Tinhas pássaros nas asas
quando vieste
nessa manhã que ainda mal nascera
da madrugada
não contei as tatuagens na tua voz
mas sei que cantaste em segredo
e só eu te ouvi
o espaço é um tempo breve
nas gaiolas sem grades
ainda mal acordaras
e já partias
para a mais longa viagem
que nos prometêramos.

Ademar