segunda-feira, 25 de junho de 2012

Um voo de gaivota...

Trago no peito
um voo de gaivota
que luta contra o vento
um mar revolto e
ondas sem fim.
Encontros e desencontros
sem decisão.
Um amor sem espelho
um grito silencioso
e uma dor sem solução...

Margarida Cândida Jorge

domingo, 10 de junho de 2012

De mãos dadas...

De mãos dadas passeavam.
Mãos enlaçadas que baloiçavam
cheias de ternura e alegria
eternamente amavam-se.
Olhares cruzavam-se em sorrisos
não havia nada mais sublime
indiferentes ao mundo
reinavam o seu mundo.
Via-se o amor
da noite e do dia.
Via-se o sol
a dar brilho à lua.
Em mim desejei par
e uma lágrima derretida caiu.
Há-de ter meu corpo semelhante sonho?!
Em mim desejo uma mão
que me toque, me enlace
e me faça voar para os braços
de um amor infinito...

Margarida Cândida Jorge

Anuncias...

Pintura de Orlado Pompeu



Anuncias sonhos
rasgas caminhos
majestosas montanhas
recebes a magia do sol
e encontras-te no mar.

Anuncias alegria
irreverência
beleza e mistério.
Tocas no impossível
tornando possível.

Reinas sonhos
e em estado de ausência
brindo  a alegria... liberdade
como uma criança...

Margarida Cândida Jorge

Poema dedicado ao mestre Orlando Pompeu


domingo, 27 de maio de 2012

Partiste...

De ti
ficou a beleza do silêncio
a ternura das saudades
levaste sonhos distantes
palavras que não disseste
e que nunca me dirás.
Evito pensar
no que se afogou em memória
e que estremece sensações
por teres um coração solto
um olhar sedutor
uma nobre figura
capaz de um grande amor
quando encotrar quem
te souber despertar...

Margarida Cândida Jorge

quarta-feira, 16 de maio de 2012

E novamente

E novamente
um excepcional vento quente voltou.
Sussurrou-me segredos de saudade
afogou-me em ternuras
em aromas de amor
em sonhos do tamanho de um oceano
onde os céus, as estrelas e Sol não bastam
para serem par.
E eu que pensava que era eu, já não era
e também não sei quem sou...
Fiquei à deriva suspensa
não sei onde nem porquê
ou sei, mas impedida de gritar
e fugir procurando o que já tinha encontrado.
A certeza de que perdi minha bússola
a minha força
mas não o meu destino.
Porque um anjo amado e secreto
me abraçou ternamente e eternamente.
Partiu porque ama a vida e o Sol
que é tão belo quando nasce e mergulha no mar...

Margarida Cândida Jorge

sábado, 21 de abril de 2012

POEMA ACABADO

Foto de António Carlos Santos

Agora choro baixinho
os ecos da saudade,
o prelúdio dos sonhos
e o verso dos jardins floridos.
É como uma espada na estação das flores,
em sussurrantes devaneios
num instante feliz de mim.
Este suave infinito em azul
é uma asa cortada em cinzas uma fuga mística,
um suspiro um pedido de abrigo!
Dancei na tua meiguice,
e aí vivi no cume da vida com novas ilusões
o fogo do Amor em bulícios desvairados...
Dentro desta melancólica
saudade que irrompe o silêncio
há um despertar rutilante em uníssono de Amor e Vida.
Sonho a minha alma e liberto os meus véus
neste vasio obscuro de mim,
com palavras frágeis e efémeras mas com a tua música no coração!
Neste cruciante silêncio da alma fui em busca de inspiração,
em cada palavra transpirada, neste vestíbulo de Amor e Paixão.
E hoje o vento que aqui passou trouxe-me saudades Tuas...
dos nossos aturdentes sonhos e fantasias e das nuvens coloridas...
Como as ondas do mar, carinho,
deixaste-me um travo de água salgada
neste meu peito em vai e vem de dor tornando a minha vida uma madrugada.
Hoje vago entre a bonança, em busca das estrelas,
numa completa cessação de ventos
como sol e lua na busca de sonhos teus.
Este é um poema acabado
que me faz beijar a tua boca
e percorrer linhas de um céu
Teu assim como que um perpétuo beijar de poesia!

António Carlos Santos

sexta-feira, 6 de abril de 2012

VOLTEIO

Não sei porque ando por aqui
Menos sei o que aqui faço
Ando às voltas à procura
De uma razão

Não sei o que não faço aqui
Menos sei porque não o faço

Não sei o que faço ou não faço aqui
Mas sei que quando o faço me enriqueço
Quando nada faço me empobreço

Não sei porque ando aqui
Mas sei que aqui estou
Fazendo ou não fazendo

O resto, não me incomoda
Porque certamente já morri!


Delfim Peixoto